A conta é simples. Por um lado, a diferença entre Lula e Bolsonaro nas eleições passadas foi de menos de 2 milhões de votos.
Por outro lado, mais de 6 milhões de brasileiros já usaram uma carteira de cripto própria (fizeram autocustódia).

Você já sabe onde quero chegar. Então vamos dar alguns passos atrás, pra construir o raciocínio juntos.
O “Custo Por Aquisição” de um Eleitor
Qualquer subgrupo do eleitorado brasileiro que tenha mais de 2 milhões de pessoas, e interesses minimamente coesos, pode “decidir essa eleição”, pendendo a balança para um lado ou o outro.
21% da população brasileira se diz de esquerda. 33,8% se dizem de direita. Estes votos já estão decididos. O custo de fazer essa galera mudar de ideia é muito alto.
Os 30% do centro é que fazem a diferença (os 15,2% restantes não sabem, não votam, ou preferem não responder).

A nível presidencial, a eleição é um jogo de rejeição. A motivação pra ir à urna é não deixar entrar aquele que te dá nojo. Vence quem é menos odiado.
Portanto, os candidatos precisam mostrar quem vêm em missão de paz. Eles agrupam os eleitores em blocos, e sinalizam alinhamento àqueles que pretendem conquistar.
Quanto mais homogêneo for um bloco, quanto mais uníssona a sua demanda, e quanto mais disposto a mudar de ideia (“indeciso”), mais valioso ele é no cálculo político. Porque uma única mensagem atinge e pode “conquistar” um número grande de eleitores. O CPA (custo por aquisição) é baixo.
Ou seja: um bloco pequeno, mas coeso, pode valer mais que um bloco grande, mas com prioridades conflitantes.
Se tem 1 milhão de pessoas lutando pelo direito de importar iogurte da Macedônia, hoje proibido pela Anvisa, e não há ninguém se opondo a isso… pode ter certeza que algum candidato vai ficar sabendo, e tocar no assunto.
Se tem 6 milhões querendo ter a certeza de que ninguém vai proibi-los de usar um programa de computador que gera chaves privadas e assinaturas… os candidatos se posicionarão em relação a isso, também.

65,8% da “cripto-popiulação” acha importante votar em um parlamentar comprometido com os direitos de quem tem cripto.
Entre quem faz autocustódia, esse número sobe pra 89,6%.
O Fiel da Balança
O eleitorado cripto já foi o fiel da balança em eleições presidenciais lá fora.
Os casos célebres são o dos EUA (2024) e o da Coréia do Sul (2025).
🇰🇷 Coreia, 2025 (venceu a esquerda)
Na Coréia, Lee Jae-Myung conquistou os 15 milhões de cripto-eleitores do país prometendo duas coisas: liberar o acesso dos fundos de pensão a cripto, e fomentar stablecoins lastreada em won.
Seu adversário também era pro-cripto, mas Lee Jae-Myung explorava o tema há mais tempo. Nas eleições anteriores, ele já tinha prometido reconsiderar o limite mínimo a partir do qual impostos sobre ganhos de capital incidem em cripto.
🇺🇸 EUA, 2024 (venceu a direita)
Nos EUA, o contraste foi maior. Democratas adotaram uma postura notadamente anti-cripto durante a administração Biden (boa parte dos seus doadores políticos são do setor bancário).
Donald Trump enxergou e agarrou a oportunidade, na corrida contra Kamala Harris. Seus maiores doadores foram do setor cripto. Ele marcou presença nos eventos da comunidade. Prometeu Reserva Estratégica de Bitcoin, libertou Ross Ulbricht, e instrumentalizou stablecoins como uma ferramenta de domínio geopolítico.
Deu certo. A diferença final de Trump para Kamala Harris foi de 1,7 milhões de eleitores. Cripto “deu” ao presidente uma vantagem de 2,5 M de votos (10,89 M vs 8,31 M; ou 55% vs 42%, entre eleitores “crypto-owners”).

A política nos EUA é mais “binária” que a nossa. No Brasil, minha expectativa é que múltiplos partidos se aproximem narrativamente de cripto, e não um só. Mas a teoria dos jogos privilegia quem se movimenta primeiro.
No marketing digital, sempre que um canal novo é lançado, o custo por aquisição é baixíssimo para quem anuncia nele.., e aumenta conforme a concorrência descobre e inunda o mesmo canal. No jogo político, vale a mesma lógica.
O “Cripto-Eleitorado”
29 milhões de adultos brasileiros já colocaram dinheiro em cripto. Trata-se de 17,2% da população. Mais gente que a torcida do Corinthians.

Cripto não é mais um fenômeno de nicho.
Tampouco de elite. 77,6% da “cripto-população” ganha até 3 salários mínimos.
Nove a cada dez ganham 5 salários mínimos ou menos.

Estamos falando de um grupo tipicamente jovem, e majoritariamente masculino; mas com mais representatividade de pretos e pardos que o resto da população.
Entre quem conhece cripto, 59% acham que é uma boa forma de diversificar investimentos. Entre jovens de 16 a 24 anos, esse percentual sobe pra 78%.
Geograficamente falando, o Centro-Oeste se destaca pelo crescimento anômalo no conhecimento sobre o tema, do ano passado pra cá.
Estes números vêm da Segunda Pesquisa Nacional das Criptomoedas, que foi lançada na semana passada.
Saiu no Estadão, na Exame e no Valor. Você pode ver todos os números no relatório completo, clicando neste link ←
O projeto é realizado pela Paradigma com o Instituto Datafolha, e conta com patrocínio da Coinbase e da Hashdex, além do apoio da ABCripto.
Por fim: não é sobre “votar no candidato que entende de cripto”. É sobre fazer o SEU candidato “entender de cripto”.
Tenho cripto. Como posso ajudar?
Num universo paralelo, você ligaria para os deputados em que vota e educaria eles sobre cripto. Nesta linha do tempo em que vivemos, você pode simplesmente inscrever um e-mail no www.juntosporcripto.org, que eles fazem esse trabalho em Brasília por ti.
Tu também pode apoiar nosso trabalho (1) abrindo uma conta na Coinbase, clicando neste link ←… e (2) conhecendo os índices da Hashdex - pergunte para o seu gerente/assessor, ou pesquise no seu app de investimentos.
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A Hashdex é uma gestora global de criptoativos, com mais de 20 fundos e ETFs disponíveis no Brasil (como o HASH11). Nascida em 2018, lançou o primeiro ETF de cripto da América Latina, e hoje tem presença em mercados como Estados Unidos, Brasil, Suíça, Alemanha, França e Holanda, sendo regulada por entidades como a CVM, a SEC e a CIMA.
A ABCripto é a principal entidade representativa do setor de ativos virtuais no Brasil, reunindo empresas que representam cerca de 85% desse mercado.




